Milton Leite nega ligação com o PCC e diz que vai se apresentar à polícia em 24 horas

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Milton Leite nega ligação com o PCC e diz que vai se apresentar à polícia em 24 horas

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LEANDRO MACHADO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, negou que tenha ligação com o PCC (Primeiro Comando da Capital) e disse que se entregará à polícia em até 24 horas.

Nesta quinta-feira (17), uma operação da Polícia Civil e Ministério Público cumpre mandados de prisão contra suspeitos de envolvimento com a facção criminosa. Leite é alvo de um mandado de prisão temporária determinada pela Justiça. Ele não foi encontrado em seus endereços.

A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, aponta que Leite seria “o dono de fato” da Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC. A Transwolff nega a acusação.

Em conversa com a reportagem por telefone, o ex-vereador afirmou que está fora de São Paulo e que não está foragido. “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”, disse.

Leite negou todas as acusações, como a de que seria o proprietário da empresa de ônibus Transwolf.

“Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor (de transportes) foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas, inclusive na negociação de uma greve em 2019. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolf]. Nunca tive um carro. A Transwolf tem 600 cooperados, como eu sou dono de um grupo de 600 cooperados?”, disse.

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A operação mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações. Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos.

O nome de Milton Leite havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa. A decisão do desembargador cita esses depoimentos para embasar o pedido de prisão do ex-vereador.

Em fevereiro, Leite foi chamado de “chefe” pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

Em nota, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirma que a intervenção determinada pela gestão na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida firme e decisiva para proteger o sistema municipal de transporte. “Desde o início das investigações, a prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada.”

“A operação realizada nesta quinta-feira (17) reforça a gravidade dos fatos que motivaram as providências adotadas pela Prefeitura. A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários.”

TRAJETÓRIA

Milton Leite foi vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024.

Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.

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Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Milton Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha de S.Paulo noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.

O colar foi entregue “em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul”, como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.

Na ocasião, o político citou a origem humilde como vendedor de pão no bairro do M’Boi Mirim. Quando chegou à Câmara Municipal, seguiu como vereador por mandatos seguidos, tendo sido presidente por seis anos.

“A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra. Procure não dar a palavra, mas se der, honre e faça valer a sua palavra”, disse na oportunidade, conforme o registro da Alesp.

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