Ministros pressionam Fachin e articulam embarreirar julgamento sobre elo entre Moraes e Vorcaro

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Ministros pressionam Fachin e articulam embarreirar julgamento sobre elo entre Moraes e Vorcaro

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Se publicamente não há dúvida sobre a dimensão que tomou a guerra entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), nos bastidores ela tem contornos ainda mais intrincados. Uma ala da Corte pressiona para que o presidente, Edson Fachin, reveja sua decisão de realizar na terça-feira, 15, a sessão para debater os indícios que apontam para uma relação suspeita mantida entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A parte visível da oposição a Fachin vem de aliados de Moraes — que, nos últimos dias, incluindo no fim de semana, se embrenharam em uma guerra de despachos com o intuito de embarreirar a realização da sessão. Para esse grupo, o ideal seria promover no mesmo dia a discussão sobre o pedido de Moraes para investigar André Mendonça. Fachin resistiu: manteve a sessão de terça-feira agendada e jogou o caso contra Mendonça para o dia 23.

Juristas, economistas, empresários, lideranças sindicais e acadêmicos enviaram uma carta neste domingo a Fachin no qual manifestam “integral apoio” às medidas adotadas pelo ministro para conter a mais recente crise institucional enfrentada pelo STF.

A carta é assinada por nomes como Jorge Gerdau, presidente do grupo Gerdau, Luiza Trajano, do Magazine Luiza, e Cândido Bracher, ex-CEO do Itaú e integrante do Conselho de Administração do banco.

Em despachos disparados ao longo de domingo, 13, o grupo que atua a favor de Moraes insistiu em ter acesso à integra das mensagens do celular de Vorcaro. Alega que os dados que Mendonça resolveu divulgar foram selecionados de forma intencional. O relator respondeu, também por ofício, que todo o conteúdo necessário para embasar a sessão de terça-feira já havia sido disponibilizado. E a divulgação do material extra agora “contribuiria para tumultuar o julgamento”.

Na guerra de ofícios, ministros tentaram manter um clima de urbanidade que, por vezes, soou mais como ironia. “Apresento meus protestos de elevada estima e distinta consideração”, escreveu Moraes ao fim de um dos despachos a Fachin.

Em caráter reservado, integrantes do grupo de Moraes alegam que, mais grave do que os indícios encontrados contra o colega foi a forma como se chegou a eles. Essa ala acusa Mendonça de ter pedido à Polícia Federal uma investigação contra Moraes sem submeter o tema ao plenário da Corte. Seria injusto, portanto, jogar o ministro na fogueira agora.

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Mas os pedidos que chegaram a Fachin para ele adiar a sessão não vieram apenas desse grupo. O presidente ouviu de ministros de quem é próximo e também do grupo de Mendonça que o ideal seria agendar a sessão para novembro. A intenção de parte dos ministros seria tentar diminuir o impacto do escândalo no resultado das urnas, diante da proximidade do dia das eleições.

Para Fachin, no entanto, é importante dar uma satisfação à sociedade sobre indícios de desvio de conduta e de comportamento criminoso contra integrantes da Corte. Entre ministros do STF, há dúvida de que o presidente tenha pulso firme para conduzir uma sessão precedida de tanta beligerância e com potencial para deixar os ministros ainda mais em pé de guerra.

Para os ministros que defendem o adiamento, poderia agravar o ambiente político do País o fato de Fachin ter determinado uma sessão pública, transmitida pela TV Justiça e pelo YouTube do STF. Os cortes com bate-bocas de ministros poderiam ser usados por campanhas eleitorais.

Como Fachin não parece inclinado a ouvir os apelos até terça-feira, duas soluções começaram a ser articuladas nos bastidores. Uma delas seria um pedido de vista logo no início da sessão, o que poderia adiar a discussão para mais adiante. No entanto, o plano pode não funcionar, já que ministros aliados de Mendonça podem antecipar seus votos — o que pode ensejar a resposta do grupo oposto.

Outra opção seria construir um caminho do meio em que os diferentes interesses do plenário fossem parcialmente contemplados. Nesse cenário, a discussão seria abortada logo no início, com a constatação que o relatório da PF com indícios contra Moraes foi feito de forma irregular.

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Por outro lado, existe uma ala no plenário que não concorda em simplesmente ignorar os indícios elencados. Daí poderia ser sugerido que a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitasse uma nova investigação sobre o envolvimento de Moraes com Vorcaro — dessa vez, com a concordância da maioria dos ministros. Para o plano dar certo, no entanto, Paulo Gonet teria de ser afastado do caso, já que ele mesmo teria conversado com o banqueiro.

Hoje, no placar previsto para a sessão de terça-feira, são tidos como nebulosos apenas os votos de Fachin e Cármen Lúcia. Os dois ainda não teriam definido posição e devem ser pressionados pelos dois lados até o momento do julgamento. O caminho do meio pode ajudar a desempatar o cenário esperado.

Seis votos são contabilizados como certos. Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin se posicionariam contra a abertura da investigação. André Mendonça, Kassio Nunes Marques e Luiz Fux seriam favoráveis ao procedimento. O próprio Moraes não votaria, porque é o alvo da discussão. Dias Toffoli já se declarou suspeito para participar de decisões sobre o caso Banco Master.

Enquanto ministros estavam entretidos no vaivém de despachos, eles esperam receber na segunda-feira, 14, o rito da sessão agendada para o dia seguinte. No domingo, 13, Fachin estava em fase final de elaboração do documento. Antes de pensar o rito, o presidente se reuniu individualmente na semana passada com todos os ministros do tribunal e com Gonet para conversar sobre a sessão e colher sugestões.

No rito, Fachin pode tentar compensar o grupo de Moraes ao reservar a parte inicial para a defesa do ministro. Também caberá a Fachin decidir se o colega poderá ser acompanhado de um advogado. Se isso acontecer, Moraes pode desistir do pronunciamento público que teria planejado fazer na segunda-feira, o que poderia ser mais um elemento de tensionamento da Corte.

Estadão Conteúdo

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