A investigação sobre o Banco Master abriu uma nova frente de desgaste para Jaques Wagner (PT-BA) dentro do Senado. O partido Novo levou o caso ao Conselho de Ética e pediu a abertura de um processo para verificar se a conduta do ex-líder do governo Lula configura quebra de decoro parlamentar.
A representação ganhou força após André Mendonça, ministro do Supremo Tribunal Federal, liberar documentos que estavam sob sigilo. O material descreve a proximidade de Wagner com Augusto Ferreira Lima, o “Guga Lima”, e aponta que essa relação teria aproximado o senador de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master.
A Polícia Federal identificou 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, realizadas entre novembro de 2023 e maio de 2025, com duração total de cinco horas e meia. Para os investigadores, os contatos teriam criado um canal para tratar de operações e pautas legislativas de interesse do banco, embora as suspeitas ainda dependam do avanço das apurações.
Outro ponto analisado envolve possíveis vantagens econômicas recebidas pelo parlamentar. Entre os elementos citados está a negociação de um apartamento avaliado em R$ 2,5 milhões, que teria seguido uma estrutura semelhante à investigada no caso do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de junho.
O senador evitou responder diretamente às suspeitas e afirmou seguir a orientação de seus advogados para permanecer em silêncio sobre o mérito do inquérito. Em entrevista à Rádio Baiana FM, Wagner disse que a investigação também pode servir para “afastar a culpa”. Agora, além da apuração conduzida pela PF, ele poderá enfrentar um procedimento político no Senado.












