João Campos aposta em Lula para ultrapassar governadora em PE e diz que rival é nome de Bolsonaro

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João Campos aposta em Lula para ultrapassar governadora em PE e diz que rival é nome de Bolsonaro

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AUGUSTO TENÓRIO E CATIA SEABRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

O presidente nacional do PSB, João Campos, planeja reeditar a parceria do pai, o ex-governador Eduardo Campos, com o presidente Lula (PT) para chegar ao Governo de Pernambuco. Em entrevista à Folha, o ex-prefeito do Recife afirma apostar suas fichas na reeleição do petista para inaugurar um novo ciclo econômico no estado que foi governado por 16 anos pelo seu partido, até 2022.

A campanha trará à memória a relação do presidente com Eduardo Campos, que morreu em 2014. Ele foi ministro da Ciência e Tecnologia no primeiro governo Lula, que sempre manteve bom relacionamento com a família.

A presença de Lula na campanha de João Campos também tem outro fim, reconhecido pelo próprio presidente do PSB: retirar da governadora Raquel Lyra (PSD) os votos de apoiadores do petista. Para isso, o ex-prefeito espera que o presidente vá a Pernambuco ainda no primeiro turno, cenário que enfrenta resistência entre uma ala do PT.

“Nossa relação com o presidente não é uma relação eleitoral, é uma relação política construída de muitos anos, de uma aliança nacional feita em todos os estados do Brasil, construindo palanques. Tenho certeza que o presidente vai participar da eleição de Pernambuco. […] E o palanque, dito pelo próprio presidente, o palanque é nosso”, afirmou João Campos.

Na eleição de 2022, Lula venceu em Pernambuco com 66,9% dos votos no segundo turno. Raquel Lyra, que não se posiciona na disputa presidencial de 2026, lidera a corrida eleitoral com 43% de intenções de voto, ante 37% de João Campos, segundo pesquisa Quaest divulgada na última terça-feira (28). A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

João Campos avalia que parte dos eleitores que hoje declaram voto em Lyra mudará de opinião quando perceberem que Lula o apoia. Além disso, o ex-prefeito rechaça a neutralidade da adversária, apontando que a aliança da opositora é composta majoritariamente por bolsonaristas e outros segmentos da direita.

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“Se for perguntado a Flávio Bolsonaro em quem ele votaria em Pernambuco, eu tenho certeza que ele nunca votaria em mim. Todos os representantes da direita de Pernambuco, todos, estão no palanque do PSD e votam nela. Então é um fato”, disse João Campos.

Durante seu governo, Raquel Lyra tentou se aproximar do presidente, mas de maneira cautelosa, para não perder também o eleitorado de direita que vota nela diante da ausência de candidatura bolsonarista ao governo. O PL decidiu não participar da disputa. Ela conta com o apoio de uma ala da sigla, além do Novo.

Aliados de Lula defendem que o presidente não vá a Pernambuco —seu estado natal— no primeiro turno para não confrontar abertamente a governadora.

Na avaliação desses articuladores, uma ação incisiva contra a candidatura dela poderia passar a ideia de que Lula não acolhe novos aliados.

Para João Campos, a governadora não aproveitou devidamente o governo Lula 3 como uma janela de oportunidade de investimentos. O presidente do PSB, que na quarta (29) confirmou Geraldo Alckmin novamente como vice da chapa do presidente, entende que a reeleição do petista abrirá espaço para obras estruturantes em Pernambuco.

“Todas as vezes que Lula foi presidente Pernambuco foi o grande líder do Nordeste. Hoje Pernambuco não é. A fábrica de carros vai para a Bahia, o data center vai para o Ceará”, diz o ex-prefeito.

Apesar da aliança construída entre PT e PSB, simbolizada pela chapa Lula-Alckmin, os partidos romperam em 2014 quando Eduardo Campos lançou sua candidatura à Presidência, contra a reeleição de Dilma Rousseff. O ex-governador pernambucano morreu num acidente aéreo durante a campanha.

O PSB já fez uma avaliação pública, assumindo “erro” em apoiar o impeachment de Dilma em 2016. Agora, João Campos afirma que o problema do seu pai jamais foi com Lula, citando que o ex-governador nutria grande admiração pelo petista.

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“Em todos os momentos da minha vida que eu vi meu pai falar do presidente Lula, seja num almoço de domingo em casa, seja no discurso em tribuna, eu sempre vi o olho do meu pai brilhar ao falar de Lula”, disse João Campos.

Desde o impeachment de Dilma, o partido enfrentou reveses e viu sua bancada diminuir de 34 deputados eleitos em 2014 para somente 14 em 2022. João Campos afirma que o partido trabalha para garantir de 25 a 30 cadeiras na Câmara e conquistar mais cinco assentos no Senado.

O dirigente do PSB também defendeu uma reformulação do modelo de emendas parlamentares. Atualmente, o Congresso conta R$ 37,8 bilhões em emendas impositivas, de pagamento obrigatório. Ele afirma que esse deve ser um tema a ser revisto no início de um eventual governo Lula 4.

“Independentemente do governo que venha a ganhar, o papel de gerir o uso do recurso do Orçamento público é do Executivo. Então tem uma disfunção posta. Agora, eu não acho que isso vai se resolver no litígio, é importante se construir um acordo”, disse João Campos.

Questionado se considera que uma reforma do STF (Supremo Tribunal Federal) deva ser assunto de campanha, ele avalia que esse debate não pode contaminar a eleição, ou vice-versa. “Acho que o STF cumpre um papel democrático institucional essencial para o Brasil, e que como todas as instituições podem ter melhorias ao longo do tempo”, disse.

Ele pondera, no entanto, que o debate a respeito está desvirtuado porque nada mais “está dando tanta audiência quanto falar do STF”.

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