O Ministério Público da Bolívia determinou nesta quarta-feira (29) a prisão do ex-presidente Evo Morales, investigado por supostamente liderar os recentes protestos contra o governo que paralisaram o país por mais de 50 dias, informou a instituição.
Entre maio e junho, a Bolívia registrou manifestações de rua e bloqueios de rodovias contra o governo do presidente de centro-direita Rodrigo Paz. Camponeses, trabalhadores e outros setores responsabilizavam Paz por não encontrar uma solução para a pior crise econômica enfrentada pelo país em quatro décadas.
Na ocasião, o governo denunciou uma tentativa de desestabilizar a “ordem democrática” por parte de “narcoterroristas” e acusou Morales de estar por trás das medidas de pressão.
“Hoje (…) foi expedido um mandado de prisão” contra Morales, no âmbito de uma investigação sobre os bloqueios de rodovias, informou à imprensa o procurador-geral do Estado, Roger Mariaca.
La Paz e El Alto foram as cidades mais afetadas pelos protestos, que provocaram um grave desabastecimento.
Os preços dos alimentos dispararam, houve escassez de medicamentos nos hospitais e filas em postos de combustíveis chegaram a durar vários dias.
A investigação do Ministério Público contra Morales teve origem em uma denúncia apresentada no início de julho pelo Comitê Cívico Pró-Santa Cruz pelos supostos crimes de “terrorismo” e “levante armado”.
O comitê é uma entidade formada por empresários e lideranças civis. Posteriormente, o Ministério do Governo aderiu à denúncia.
Este é o segundo mandado de prisão em vigor contra Morales, que está foragido desde outubro de 2024.
A polícia já o procurava em razão de uma acusação de suposto tráfico de uma menor de idade, com quem Morales teria tido uma filha quando era presidente — acusação que ele nega e classifica como perseguição.
O ex-presidente, de 66 anos, encontra-se na região produtora de coca de Chapare, protegido por agricultores que mantêm vigilância permanente para impedir uma eventual operação policial.
© Agence France-Presse












