A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Cibernéticos, deflagrou a Operação Prognóstico nesta terça-feira. A ação foi planejada para desarticular uma associação criminosa especializada na produção e comercialização de documentos médicos falsificados pela internet, que funcionava com hierarquia definida e divisão de tarefas entre os membros.
De acordo com as investigações, o esquema contava com um setor de atendimento ao público e um sistema financeiro organizado para gerir os ganhos das atividades ilícitas. A ofensiva policial cumpriu sete mandados de prisão temporária e sete de busca e apreensão contra os integrantes identificados.
As apurações indicam que a organização criminosa operou de maneira estruturada entre 2020 e 2024, funcionando nos moldes de uma empresa digital. Os criminosos utilizavam plataformas virtuais com aparência profissional para anunciar e vender atestados, exames laboratoriais e receitas falsificadas.
A quadrilha apresentava uma tabela de preços que variava conforme a complexidade da demanda solicitada
A investigação conseguiu rastrear mais de 160 documentos fraudados, número que revela a grande dimensão do esquema e o prejuízo causado à fé pública e à saúde coletiva. Entre os itens oferecidos estavam documentos sensíveis, como testes de DNA e exames de gravidez com resultados manipulados conforme o desejo do cliente, além de justificativas para ausências em postos de trabalho e instituições de ensino.
A quadrilha apresentava uma tabela de preços que variava conforme a complexidade da demanda solicitada. Os materiais possuíam aparência legítima, pois eram confeccionados com identificação de médicos reais, códigos de doenças, carimbos e assinaturas forjadas.
Após a contratação, o conteúdo era enviado em formato digital e também fisicamente por meio de serviços postais para diversas regiões do país.
Valor cobrado de acordo com dias de atestado
No material usado para divulgar o serviço ilegal, o grupo afirmava emitir comprovantes vinculados a unidades de saúde públicas e privadas de todo o Brasil. Os anúncios garantiam que os papéis continham todos os dados necessários para serem aceitos em empresas e faculdades sem levantar suspeitas, apresentando inclusive possibilidade de verificação.
As ofertas indicavam que os valores cobrados por atestados variavam entre R$ 30 e R$ 150, dependendo da quantidade de dias de afastamento necessária. O catálogo criminoso incluía ainda laudos e receitas médicas irregulares, e o texto publicitário orientava os interessados sobre como realizar o contato para a aquisição, evidenciando a prática contínua de fraude e falsificação.
Os envolvidos, que não tiveram nomes divulgados, podem responder pelos crimes de falsificação de documento público, falsificação de documento particular e associação criminosa.
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