Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel

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Produtores de arroz interrompem colheita por falta de diesel

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PEDRO LOVISI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

Os produtores de arroz do Rio Grande do Sul estão desde a última quinta-feira (5) sem receber diesel em suas fazendas, segundo a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). O estado é responsável por 70% da produção do grão no país e está no auge do período de colheita.

O diesel é importante porque é o combustível usado pelos produtores para operar os maquinários usados na plantação, como tratores. Sem ele, os produtores não conseguem colher o grão.

“O produtor está tendo que ir aos postos de gasolina para pegar diesel, mas isso dá para no máximo um dia; não é possível operacionalizar dessa forma”, diz Domingos Velho Lopes, presidente da Farsul. “Os produtores têm estoque em geral de quatro dias a uma semana, e o problema vai ser muito grave se não receber até o meio desta semana, até porque se o produtor demorar mais de três dias, ele perde a colheita.”

De acordo com ele, as dficuldades começaram na última terça (3), em meio aos ataques dos Estados Unidos ao Irã e a redução na produção de petróleo por alguns países países do Oriente Médio. Nos últimos cinco dias, o preço do barril de petróleo Brent, referência mundial, subiu 14,65%, desestabilizando o mercado internacional do combustível.

Hoje, cerca de 70% do mercado de petróleo do Brasil é atendido pela Petrobras, sendo o restante atendido por refinarias privadas ou importadoras -no caso do diesel, cerca de 30% é importado. A estatal tem uma política de preços de não conversão imediata dos preços internacionais para o mercado nacional, mas especialistas apontam que os impactos são inevitáveis no médio prazo.

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Ainda são incertas as causas na suspensão do fornecimento de diesel para os produtores do Rio Grande do Sul. Geralmente, a entrega do combustível na região se dá por meio dos chamados TRR, sigla para Transportador Revendedor Retalhista -empresas autorizadas pelo governo federal a adquirir grandes quantidades de combustível e em sequência vender no varejo.

De acordo com Lopes, no entanto, esses transportadores têm avisado aos produtores que as distribuidoras reduziram a entrega do combustível nos últimos dias. “Começou um jogo de empurra-empurra; as distribuidoras estão dizendo que a culpa é da refinaria e os TRR culpam as distribuidoras”, afirma.

A suspeita é que algum elo da cadeia possa estar travando o fornecimento de diesel, à espera de os preços crescerem ainda mais nos próximos dias. Analistas internacionais temem que o barril de petróleo Brent chegue próximo aos US$ 100 (hoje, está sendo vendido a US$ 87,44).

Neste domingo (8), a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) publicou uma nota, dizendo estar ciente da situação no Rio Grande do Sul. Segundo o órgão regulador, o estado conta com estoques suficientes para assegurar o abastecimento regular de diesel. “A produção e a entrega do combustível seguem em ritmo regular pelo principal fornecedor da região (Refinaria Alberto Pasqualini -Refap)”, afirmou.

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Ainda de acordo com a agência, as distribuidoras serão notificadas para prestar esclarecimentos sobre o volume de diesel em estoque e os pedidos recebidos. “Caso seja necessário, a agência está preparada para adotar todas as medidas cabíveis a fim de assegurar a continuidade e a normalidade da oferta de diesel no país”, completou.

Procurada, a Petrobras disse que não houve qualquer alteração em relação às entregas de diesel por parte de suas refinarias e que elas estão ocorrendo conforme o planejado. “Especificamente em relação ao estado do Rio Grande do Sul, ratificamos que as entregas de diesel estão sendo realizadas dentro do volume programado”, afirmou. A empresa é a responsável pela refinaria que atende o Rio Grande do Sul.

Para Francisco Neves, diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis, não há dúvidas que a guerra no Irã impacta o mercado nacional de petróleo e derivados. “Mas isso não quer dizer que vai faltar produto. O que há é uma tensão na oferta e restabelecimento dos preços, que a médio prazo vão se ajustar”, diz.

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