Lula prioriza parcerias inovadoras com Coreia do Sul em visita a Seul

lula-prioriza-parcerias-inovadoras-com-coreia-do-sul-em-visita-a-seul
Lula prioriza parcerias inovadoras com Coreia do Sul em visita a Seul

publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta segunda-feira (23), que a colaboração com empresas sul-coreanas em setores intensivos em conhecimento é uma prioridade para o Brasil. Durante viagem a Seul, capital da Coreia do Sul, ele participou do encerramento de um fórum empresarial que reuniu 230 empresas dos dois países.

Em discurso, Lula mencionou oportunidades de parcerias na exploração de minerais críticos. Ele destacou que a Coreia do Sul é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias, enquanto o Brasil possui minerais essenciais para cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos. ‘O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro’, disse o presidente.

Lula citou cooperações mutuamente vantajosas nas áreas aeroespacial, de saúde, de cosméticos e cultural. Na aeroespacial, ele recordou as operações da startup coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão, e enfatizou a importância do diálogo entre agências espaciais para compartilhar dados de satélites e projetos de exploração lunar.

Na saúde, o presidente falou sobre a expectativa de fabricação conjunta de vacinas, fármacos e insumos médicos, à medida que a Coreia do Sul avança em pesquisa e o Brasil constrói o laboratório de biossegurança Órion, conectado ao acelerador de partículas Sirius. ‘Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia’, afirmou.

Leia Também:  Comissão de Direitos Humanos discute condições de presos do 8 de Janeiro com Moraes

No setor de cosméticos, Lula observou que as exportações brasileiras de beleza superaram US$ 1 bilhão em 2025, enquanto a indústria coreana rivaliza com a da França globalmente. ‘Unindo o potencial brasileiro à tecnologia coreana, podemos multiplicar nosso alcance nesse setor’, argumentou, destacando a biodiversidade do Brasil.

Sobre a cultura, o presidente apontou que a economia criativa na Coreia supera exportações de setores tradicionais, e no Brasil responde por mais de 3% do PIB, gerando mais empregos que a indústria automobilística. Ele citou exemplos como funk brasileiro, K-Pop, filmes como Parasita e Agente Secreto, e produções audiovisuais de ambos os países.

A corrente de comércio entre Brasil e Coreia do Sul é de cerca de US$ 11 bilhões, abaixo do recorde de quase US$ 15 bilhões em 2011. Lula mencionou que a ApexBrasil identificou 280 oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, de alimentos a químicos.

Mais cedo, Lula foi recebido pelo presidente sul-coreano Lee Jae-myung, em visita de Estado, ocasião em que os dois países firmaram 10 atos de cooperação. O principal é um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, focado no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola, incluindo cadeias de suprimentos resilientes, minerais estratégicos, indústrias sustentáveis e audiovisual. ‘Nossos ministérios passarão a se reunir regularmente para discutir como fortalecer relações econômicas’, explicou.

Leia Também:  Líder do governo no Senado acredita que Lula já decidiu sobre escolha de Messias ao STF

O presidente brasileiro destacou indicadores socioeconômicos favoráveis e políticas públicas como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica para atrair investimentos. Ele também mencionou esforços de 15 anos para acessar o mercado de carne bovina coreano, afirmando que o Brasil está pronto para atender demandas de proteína.

Lula defendeu o multilateralismo e criticou o protecionismo e guerras comerciais. ‘A melhor resposta à tentativa de usar o comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos mutuamente benéficos por meio do diálogo’, disse. Ele enfatizou que o protecionismo dificulta o crescimento econômico e social, e que o desenvolvimento do trabalho é essencial para resolver problemas como a fome.

Por fim, o presidente traçou paralelos históricos: nos anos 1960, o PIB per capita coreano era menos da metade do brasileiro, hoje é três vezes maior. Enquanto o Brasil adotou políticas neoliberais nos anos 1990, a Coreia apostou no papel indutor do Estado. ‘Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas’, lembrou Lula, destacando a importância da escolaridade e de uma economia variada.

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade