A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (5/2), uma operação para desarticular um esquema que inseriu mandados de prisão falsos nos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO). Entre os nomes usados nas fraudes estão o do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.
A investigação aponta que um adolescente de 15 anos é o responsável pelas inserções fraudulentas nos sistemas do CNJ e do TJGO. A polícia afirma que ele usou credenciais de servidores — possivelmente obtidas por phishing ou infecção por vírus — para acessar o BNMP e o Projudi/TJGO e inserir, alterar e excluir mandados e dados processuais.
O jovem vivia em ostentação, com movimentações financeiras incompatíveis com a idade, e estava fora da escola há pelo menos dois anos. Em diligências em Iporá, Goiânia e no Distrito Federal foram apreendidos celulares, notebooks e mídias digitais; nesta fase da operação não houve prisões.
Segundo as apurações, os criminosos chegaram a alterar dados no Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) e em processos digitais do Projudi/Goiás, mas não houve emissão definitiva de ordens contra as autoridades porque todas as adulterações foram detectadas e corrigidas a tempo. A investigação apura ainda tentativa de beneficiar presos de alta periculosidade, o que, segundo a polícia, não chegou a prosperar.
A operação, coordenada pela Polícia Civil de Minas Gerais com apoio das polícias civis do Distrito Federal e de Goiás e de núcleos de inteligência dos tribunais, cumpriu mandados de busca e apreensão no DF e em Goiás. Foram apreendidos aparelhos eletrônicos e mídias digitais para perícia.
“O sistema é seguro. O que ocorreu foi a subtração de credenciais de servidores, possivelmente após acesso a links maliciosos ou infecção por vírus. Com o usuário e a senha, foi possível inserir e alterar dados no sistema”, afirmou a delegada Marcela Orçai, da Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos da PC de Goiás, sobre a forma como as fraudes foram praticadas.
Como funcionava o esquema
De acordo com as investigações, os responsáveis obtiveram credenciais de servidores — via técnicas de engenharia social, como phishing — e assim puderam acessar o BNMP e o Projudi para inserir, alterar e excluir informações oficiais. Em um dos casos, uma única credencial resultou em mais de 100 movimentações no sistema, entre inserções e alterações.
As diligências miram identificar autores, cúmplices e a origem técnica dos ataques. Os materiais recolhidos serão periciados para mapear a cadeia de responsabilidades e apontar eventual participação de terceiros que tenham facilitado o acesso indevido. Órgãos como o CNJ e vários tribunais já restabeleceram os registros originais e arquivaram processos criados de forma fraudulenta.
As investigações, que começaram em janeiro após detecção de movimentos irregulares, permanecem em andamento e podem resultar em novas medidas judiciais. Os nomes dos investigados não foram divulgados pelas autoridades nesta fase.
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