Plano nacional de pós-graduação mira diversidade e inclusão, mas falta definir orçamento

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Plano nacional de pós-graduação mira diversidade e inclusão, mas falta definir orçamento

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CAIO REIS
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

A principal novidade do novo Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG), válido para o quinquênio 2025-2029, está em adotar a promoção da equidade e diversidade como eixo temático com diretrizes próprias para a pós-graduação. Nisso se incluem a criação de mecanismos de permanência estudantil e o acompanhamento dos beneficiários de ações afirmativas.

Mas a falta de garantias orçamentárias para a ciência ainda preocupa. Como explica a presidente da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Denise Pires de Carvalho, a implementação dessas políticas depende da ampliação do orçamento da instituição pelo Congresso Nacional.

A Capes informou que ainda não estimou o custo das ações de equidade e diversidade, o que deve ser apontado por uma comissão de monitoramento do PNPG composta em dezembro de 2025.

A fundação responsável pelo fomento, regulação e avaliação da pós-graduação stricto sensu no Brasil, publicou em agosto de 2025 o novo PNPG. O documento define diretrizes e metas para o Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), que congrega todos os programas de pós-graduação do país.

Questão orçamentária à parte, Denise Pires de Carvalho aponta o papel do Censo da Pós-Graduação stricto sensu, que está sendo realizado pela fundação e deve ter seus resultados publicados ainda em 2026, na promoção da equidade e da diversidade. “Por meio desses dados, teremos o verdadeiro retrato de quem faz a pós-graduação no Brasil.”

A Capes espera levantar informações sobre o perfil social, como idade, gênero e raça/cor, de mais de 360 mil estudantes de mestrado e doutorado no país, além de 21 mil pós-doutorandos e 92 mil docentes.
O sistema de avaliação da pós-graduação também foi objeto de diretrizes específicas no novo plano.

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Frente a contestações judiciais recentes do seu modelo de avaliação, a Capes reconhece a necessidade de aprimoramento dos critérios adotados na atribuição de notas aos programas de pós-graduação (PPGs).

Helena Nader, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC), concorda com a revisão do modelo, mas pondera que toda avaliação tem uma dimensão de arbítrio na seleção de critérios e indicadores. “O que, por que e para que avaliar? Só respondendo a essas perguntas saberemos que modelo de avaliação queremos.”

Segundo Antonio Gomes de Souza Filho, diretor de Avaliação da fundação, a aferição do desempenho de cada PPG deve privilegiar o processo formativo de mestres e doutores, bem como o seu impacto social, balanceando o uso de métricas de produção científica com indicadores qualitativos.

“Não haverá métrica única para todas as áreas. No próximo ciclo [de avaliação, para o quadriênio 2025-2028], planejamento [estratégico] e autoavaliação serão importantes para isso. Para o recorte de excelência [notas 6 e 7], a internacionalização será ponderada com a capacidade de transformação local e regional. No caso das humanidades, por exemplo, como os programas contribuem para a elaboração de políticas públicas é um bom critério [de avaliação]”, explica.

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Segundo a coordenadora do curso, Marta Pereira da Luz, a alteração buscou tornar mais visível um foco já presente nas pesquisas. “Ao evidenciar a inteligência artificial como um eixo estruturante, o programa se posiciona de forma mais estratégica para aprofundar parcerias com empresas, desenvolver projetos conjuntos de inovação e contribuir para a formação de profissionais alinhados à transformação digital em curso nos setores produtivos”, afirma.

Segundo a coordenadora do curso, Marta Pereira da Luz, a alteração buscou tornar mais visível um foco já presente nas pesquisas. “Ao evidenciar a inteligência artificial como um eixo estruturante, o programa se posiciona de forma mais estratégica para aprofundar parcerias com empresas, desenvolver projetos conjuntos de inovação e contribuir para a formação de profissionais alinhados à transformação digital em curso nos setores produtivos”, afirma.

A Capes concluiu a avaliação quadrienal 2021-2024, período em que se acumularam os impactos da pandemia, oscilações no orçamento para ciência e tecnologia e disputas judiciais em torno do processo de avaliação.

Os resultados devem ser publicados em maio, mas já foram compartilhados com os PPGs. Souza Filho destacou ter havido “um avanço das notas [dos PPGs em geral], o que mostra que a comunidade científica não sucumbe a qualquer turbulência e consegue responder rapidamente à retomada dos investimentos”. E antecipou o aumento de programas de excelência (com notas 6 e 7) nas regiões Norte e Nordeste.

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