A passagem de Rafah entre a Faixa de Gaza e o Egito, fechada desde 2024, reabriu nesta segunda-feira (2) nos dois sentidos para os habitantes, que poderão atravessar a fronteira sob condições muito estritas.
Esta reabertura limitada da única via entre Gaza e o mundo exterior que não passa por Israel devolve a esperança a milhares de palestinos, principalmente aos doentes e feridos que anseiam sair de Gaza, onde o cessar-fogo continua frágil.
No sábado, bombardeios israelenses deixaram dezenas de mortos, segundo a Defesa Civil de Gaza. O Exército israelense afirma ter atacado combatentes palestinos que saíam de um túnel em Rafah.
Autoridades egípcias anunciaram que 150 pessoas poderão sair de Gaza nesta segunda-feira e outras 50 entrar.
Mahmoud, um palestino de 38 anos que sofre de leucemia, foi um dos primeiros autorizados a receber tratamento no Egito. “Em Gaza não há tratamento, não há vida”, desabafa.
Ele diz que está “muito feliz por finalmente receber o tratamento”, mas triste por deixar seus entes queridos em Gaza, onde “a situação é catastrófica”.
Para outros, que foram ao Egito antes do fechamento da fronteira, esta reabertura significa o retorno a Gaza.
“Minha mãe terminou o tratamento e esperamos que volte do Egito. Para mim, é um dia de alegria. Vou abraçar minha mãe”, conta Abdel Rahim Mohamed, um homem de 30 anos que vive em Khan Yunis, no sul de Gaza.
Sua mãe, de 63 anos, deixou a Faixa de Gaza em março de 2024 para tratar um câncer de mama no Egito. Há dois dias, enviou uma mensagem ao filho: “Venha me esperar na fronteira”.
Mas Abdel Rahim Mohamed teme não conseguir chegar a Rafah. O posto fronteiriço fica em um setor ainda ocupado pelo Exército israelense, que se retirou de aproximadamente metade da Faixa de Gaza desde o início do cessar-fogo em 10 de outubro.
– Ajuda humanitária –
O Exército israelense assumiu o controle, em maio de 2024, do lado palestino da passagem fronteiriça, que permaneceu fechada desde então, exceto por uma breve reabertura no início de 2025.
Um funcionário de alto escalão israelense anunciou na manhã desta segunda-feira a abertura da passagem fronteiriça nos dois sentidos para os residentes, após a chegada da missão europeia de vigilância EUBAM Rafah.
A ONU e organizações humanitárias vinham reivindicando a abertura da fronteira, mas, por ora, permanecerá fechada à entrada de ajuda internacional no território palestino devastado.
A ajuda proveniente do Egito transita até agora pelo posto fronteiriço israelense de Kerem Shalom, a poucos quilômetros de Rafah.
No Egito, os serviços de saúde se preparam para receber doentes e feridos.
Segundo o meio de comunicação egípcio AlQahera News, foram mobilizados 150 hospitais e 300 ambulâncias, assim como 12.000 médicos e 30 equipes de emergência.
O diretor do principal hospital de Gaza, Al Shifa, Mohamed Abu Salmiya, calcula que atualmente há no território “20.000 pacientes, incluindo 4.500 crianças, que precisam de atendimento urgente”.
– Um futuro melhor –
A estudante palestina Asma Al Arqan afirma que a abertura de Rafah é sinônimo de um futuro melhor porque lhe permite continuar seus “estudos no exterior”.
A reabertura total está prevista no plano do presidente americano Donald Trump para pôr fim à guerra desencadeada em 7 de outubro de 2023 pelo ataque do Hamas em solo israelense.
As autoridades israelenses condicionaram as travessias à obtenção de “uma autorização de segurança prévia”, em coordenação com o Egito e sob a supervisão da missão europeia em Rafah.
Os palestinos que desejarem voltar a Gaza poderão levar uma quantidade limitada de bagagem, sem objetos metálicos ou eletrônicos, e com quantidades limitadas de medicamentos, segundo a embaixada palestina no Cairo.
A reabertura da fronteira também deverá permitir a entrada em Gaza, em data a ser definida, dos 15 membros do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG, na sigla em inglês), encarregado de administrar o território durante um período de transição sob a autoridade do “Conselho da Paz” presidido por Donald Trump.
AFP










