A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou o primeiro Censo da Pós-Graduação stricto sensu referente ao ano de 2025, com inscrições abertas até 26 de fevereiro. Realizado pela primeira vez no Brasil, o levantamento coletará dados estatísticos sobre programas de mestrado e doutorado, visando orientar políticas públicas para a melhoria da pós-graduação no país.
O preenchimento é individual e obrigatório, realizado por meio da Plataforma Sucupira. Devem participar pós-graduandos matriculados em mestrado e doutorado, professores permanentes e colaboradores, pesquisadores em estágio pós-doutoral não docentes e coordenadores de programas de pós-graduação (PPGs). Os questionários são adaptados ao perfil de cada respondente, com perguntas de múltipla escolha e orientações para garantir precisão. Pró-reitores e coordenadores de PPGs são responsáveis por acompanhar e assegurar a adesão de seus integrantes no prazo.
Em entrevista à Agência Brasil, a presidente da Capes, Denise Pires de Carvalho, destacou a relevância do censo para conhecer os perfis de pós-graduandos e docentes, incluindo dados sobre gênero, raça, região e vulnerabilidade socioeconômica. ‘Toda forma de censo é muito relevante para a definição de políticas públicas’, afirmou, enfatizando a necessidade de mapear desigualdades invisíveis.
O questionário aborda temas como parentalidade, que impacta a progressão acadêmica. De acordo com Carvalho, políticas de equidade, como prorrogação de bolsas para mães e pais, humanizam o ambiente e ajustam avaliações de docentes em períodos de cuidado familiar. A presidente relatou que mulheres são maioria entre mestres e doutores desde 1997, mas o corpo docente permanece majoritariamente masculino, atribuindo isso a fatores como maternidade e vieses.
Sobre inclusão racial, o censo avaliará a efetividade das políticas afirmativas na pós-graduação, conforme a revisão da Lei de Cotas (nº 14.723/2023). Embora não obrigatória, a adoção de cotas por programas será considerada na avaliação da Capes, com foco na permanência de estudantes pretos, pardos, indígenas, quilombolas e pessoas com deficiência. Carvalho defendeu que ações precedentes, como na graduação, não comprometeram a qualidade e promoveram inclusão em iniciação científica.
Regionalmente, o levantamento identificará carências na distribuição de bolsas e programas, promovendo equidade entre regiões e áreas do conhecimento, com análise pela nova diretoria de informação científica. No que diz respeito à saúde mental, Carvalho reconheceu o ambiente estressante da pós-graduação, mas destacou sua baixa taxa de evasão (cerca de 4% a 5%), inferior à da graduação. O censo ajudará a prevenir abandonos multifatoriais, sem sacrificar a qualidade.
A importância das bolsas foi enfatizada: elas sustentam estudantes que não podem trabalhar, financiando profissionais impactantes para o país. Embora minoritárias, as bolsas da Capes serão ampliadas pelo governo federal. Carvalho reforçou que nações desenvolvidas dependem de mais mestres e doutores, com universidades federais alcançando até 100% de docentes doutores graças a estágios obrigatórios.
O censo também reflete a transição para maior interação com o setor produtivo. Bolsistas podem realizar estágios em empresas e sociedade civil, avaliados por impactos regionais e nacionais. Iniciativas como o Programa DAI do CNPq e acordos com Embrapii e Finep aproximam a Capes do setor não acadêmico, alinhadas ao Plano Nova Indústria Brasil.
Com universo de 504 mil participantes, o censo já registra quase 70% de adesão, com mais de 150 programas concluídos a 100%. A divulgação dos resultados está prevista para 16 de novembro de 2026, permitindo análise rápida para o retrato da pós-graduação brasileira.









