THAÍSA OLIVEIRA
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
O ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa disse em depoimento à Polícia Federal que o banco regional fez análises e considerou que a Ambipar, hoje em recuperação judicial, era uma empresa viável.
O BRB tem participação em oito fundos de investimento que aparecem no esquema de fraudes do Banco Master, de acordo com balanços da instituição comandada por Daniel Vorcaro e com um rastreamento feito pela Folha. Os ativos reúnem, entre outros itens, ações da Ambipar.
Ao ser confrontado pela delegada da PF Janaína Palazzo se a cota de um fundo da Ambipar não teria gerado prejuízo para o BRB, Paulo Henrique disse que a empresa parecia viável.
“A gente tinha cota de um fundo que era a ação [da Ambipar] mais o hedge [mecanismo de proteção para reduzir perdas]”, disse Paulo Henrique à PF.
“Então isso acabou não gerando um prejuízo para o BRB?”, questionou a delegada.
“Para o BRB”, respondeu Paulo Henrique, confirmando o prejuízo. “Mas, assim, a gente olhava para a Ambipar, inclusive nas análises técnicas que foram feitas, e achava que era uma empresa viável […] com contratos importantes com Oriente Médio, com Fórmula 1, com um conjunto de coisas.”
A íntegra do depoimento de Paulo Henrique, de 30 de dezembro, foi divulgada nesta quinta-feira (29) pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli.
A Ambipar entrou em recuperação judicial em outubro, após ter conseguido uma tutela cautelar na Justiça do Rio de Janeiro para travar o pagamento de suas dívidas, que somam R$ 10 bilhões.
No segundo trimestre, quando as dificuldades financeiras da companhia ainda não tinham vindo à tona, a Ambipar reportou que possuía R$ 4,7 bilhões em caixa.









