JOSÉ MARQUES
BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)
A Polícia Federal desmarcou os depoimentos de Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, e outros dois investigados no inquérito sobre suspeitas de fraude na tentativa de venda para o BRB (Banco de Brasília).
A medida foi tomada após as defesas de Lima e de outras duas pessoas que compunham a diretoria do Master, Roberto Bonfim Mangueira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva, afirmarem à PF que não tiveram acesso ao teor integral da investigação. Os depoimentos estavam marcados para esta terça-feira (27).
Outro diretor, Luiz Antonio Bull, depõe virtualmente. Bull já tinha se colocado à disposição para depor desde a época em que foi preso, em novembro, na primeira fase da operação Compliance Zero. Atualmente, ele é monitorado por tornozeleira eletrônica.
Inicialmente, estava previsto que Bull iria de São Paulo a Brasília para depor presencialmente, mas o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o deslocamento teria que ser feito por agentes da PF. A defesa optou, então, por fazer virtualmente, sob a justificativa de evitar custo ao Estado e para evitar que agentes da PF deixem seu trabalho para acompanhar o trajeto.
Augusto Lima é apontado pelas investigações como responsável direto pelas decisões do Master com Vorcaro, e também por relações públicas do banco.
As investigações dizem que ele é um dos principais interlocutores junto ao BRB para viabilizar operações bilionárias de cessões de crédito. Também é apontado como controlador de associações usadas pelo Master para justificar ao BC, de forma falsa, a origem de créditos cedidos ao BRB. Sua defesa tem dito que as operações são posteriores à sua saída do Master e não têm relação com sua atuação na instituição.
Nesta segunda-feira (26), dois dos quatro investigados no caso do Banco Master que prestariam depoimentos à Polícia Federal se ausentaram, e um terceiro decidiu não responder a perguntas e fez apenas uma manifestação inicial.
As defesas deles também comunicaram às autoridades que não tiveram acesso aos autos da investigação, e solicitaram que as audiências fossem remarcadas para depois que isso acontecesse.
Não compareceram aos depoimentos desta segunda o dono da consultoria Tirreno Henrique Souza e Silva Peretto e o diretor da consultoria e ex-funcionário do Master André Felipe de Oliveira Seixas Maia.
O ex-funcionário do Master Alberto Felix de Oliveira Neto manteve silêncio durante a audiência e fez apenas uma declaração para afirmar que não tinha poder de deliberação no banco, e apenas cumpria ordens.
Os depoimentos aconteceram em sessões fechadas na sede do STF de forma presencial ou por vídeo, e as duas ausências e a falta de manifestação foram confirmadas pela Folha com pessoas que acompanham as apurações.
A Tirreno é uma empresa que as investigações apontam ser de fachada e que foi usada na tentativa de venda do Master ao BRB.
Em 30 de dezembro, Vorcaro foi ouvido no STF, além do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino.
Em seguida, Vorcaro e Costa, do BRB, participaram de uma acareação, que tratou de divergências sobre a venda de R$ 12,2 bilhões em créditos inexistentes, segundo os investigadores, do Master para o BRB.
Em declarações públicas, as defesas dos investigados têm negado que cometeram irregularidades.










