Sete anos após o rompimento da barragem de rejeitos da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), que resultou na morte de 272 pessoas, a Justiça Federal de Belo Horizonte inicia, a partir de 23 de fevereiro, as audiências de instrução do processo criminal. A expectativa é que, até maio de 2027, sejam ouvidas vítimas, testemunhas e réus, podendo levar 15 pessoas a julgamento em júri popular. Dentre os réus, estão 11 ex-diretores, gerentes e engenheiros da Vale, além de quatro empregados da empresa alemã TÜV SÜD, responsável pela certificação da barragem.
O depoimento de Nayara Porto, viúva de Everton Lopes Ferreira, uma das vítimas, ilustra o impacto duradouro da tragédia. Em entrevista ao programa Natureza Viva, da Rádio Nacional, ela recorda o dia 25 de janeiro de 2019, quando preparava um pudim para o marido, funcionário do almoxarifado da mina, e soube do rompimento pela vizinha. Desesperada, tentou contato sem sucesso e ouviu de um sobrevivente que o local de trabalho de Everton havia sido destruído pela lama de rejeitos.
A Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (AVABRUM) classifica o evento como ‘tragédia-crime’, destacando que, passados 2.557 dias, ainda não há responsabilizações criminais. A jornalista Cristina Serra, autora de livro sobre o desastre de Mariana, relaciona o caso de Brumadinho a outros incidentes, como o rompimento da barragem de Mariana em 2015, controlada pela Samarco (joint venture da Vale e BHP Billiton), e o afundamento do solo em Maceió (AL) desde 2018, causado pela Braskem. Em todos, não há punições criminais até o momento.
Serra critica a ‘irresponsabilidade’ das mineradoras, que priorizam lucros em detrimento da segurança, e aponta falhas nos órgãos públicos de fiscalização, que dependem de burocracia e documentos fornecidos pelas empresas, sem verificações in loco.
Em resposta, a Vale afirma não comentar o processo judicial em andamento, mas destaca ações de reparação, como a execução de 81% do Acordo Judicial de Reparação Integral até dezembro de 2025, incluindo recuperação socioambiental, abastecimento hídrico e diversificação econômica na região. A empresa também investe na segurança de suas barragens.
A Samarco, por sua vez, reafirma compromisso com as vítimas de Mariana por meio do Novo Acordo do Rio Doce, assinado em 2024, com indenizações, construção de distritos e recuperação ambiental em Minas Gerais e Espírito Santo.
Neste domingo, a AVABRUM promove, às 11h, um ato em memória das 272 vítimas, no Letreiro de Brumadinho, na entrada da cidade pela rodovia MG-040.
Com informações da Agência Brasil











