Putin promete R$ 5 bi a Conselho de Paz se EUA liberarem ativos russos

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Putin promete R$ 5 bi a Conselho de Paz se EUA liberarem ativos russos

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UOL/FOLHAPRESS

O presidente Vladimir Putin ofereceu US$ 1 bilhão (equivalente a R$ 5,2 bilhões) ao Conselho de Paz de Donald Trump em troca do descongelamento de ativos russos por parte dos Estados Unidos.

País vai pedir o desbloqueio dos ativos congelados para contribuir com o conselho oficializado nesta quinta-feira (22). A informação foi dada pelo porta-voz do Kremlin à agência de notícias Reuters. A taxa de US$ 1 bilhão é uma exigência de Trump para países que desejem um assento permanente no conselho.

Maior parte do dinheiro deve ser destinada ao povo de Gaza, disse Putin ao líder palestino Mahmound Abbas. Os dois se encontraram nesta quinta e o russo mencionou ao líder que os valores seriam para fomentar a “relação especial com o povo palestino”.

Estimativa é de que Rússia tenha mais de US$ 60 bilhões congelados pelos EUA. Segundo o banco central do país, cerca de 11% das suas reservas em ouro estão em dólares, aplicadas em fundos americanos.

Parte dos fundos foram congelados após tensões diplomáticas ainda na década de 2010. No entanto, as sanções americanas à Rússia são constantes, com as mais recentes datando do fim de 2025.

Putin deve se encontrar com representantes dos Estados Unidos nesta quinta. Steve Witkoff, enviado especial, e o genro de Trump, Jared Kushner, estão a caminho de Moscou, onde devem se encontrar pessoalmente com o russo para discutir planos para o fim da guerra.

TRUMP DIZ QUE PUTIN ACEITOU CONVITE, MAS RÚSSIA AINDA ANALISA DOCUMENTOS

Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também se reuniram hoje em Davos. A reunião a portas fechadas ocorreu antes de Zelensky fazer um pronunciamento no fórum. Presidente dos EUA se limitou a dizer que tiveram uma reunião “boa”.

Rússia aceitou participar do Conselho de Paz após convite dos Estados Unidos, afirmou Trump. A declaração foi feita a jornalistas após um encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, durante o Fórum Econômico Mundial, na Suíça. Questionado se o convite não seria uma decisão controversa -ao chamar para o conselho um suposto opositor que lidera uma nação em guerra- o republicano afirmou: “Sim, tenho algumas pessoas controversas na equipe, mas são pessoas que fazem o trabalho”.

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“[A Rússia foi convidada] porque queremos todo mundo. (…) Queremos todas as nações onde pessoas tem o controle, onde pessoas tem poder, dessa forma nós nunca teremos um problema. É o melhor conselho já montado”, disse Trump, à CNN .

Durante uma reunião nesta quarta-feira (21), porém, Putin afirmou ainda estar “estudando os documentos” e “consultando parceiros estratégicos” sobre a adesão. A afirmação ocorreu durante um encontro do Conselho de Segurança russo. Na ocasião, Putin também sugeriu usar ativos russos congelados nos EUA para pagar a taxa estabelecida por Trump.

Convite foi confirmado há dois dias pelo Kremlin. “O presidente Putin recebeu, de fato, uma oferta por meio de canais diplomáticos para participar deste Conselho de Paz”, disse Dmitry Peskov à agência russa de notícias TASS, no último dia 19.

Indicação do russo foi um dos motivos apontados pelo Reino Unido para dúvida sobre entrada no Conselho. Em entrevista à BBC, a ministra das Relações Exteriores do Reino Unido, Yvette Cooper, afirmou que o convite a Putin causou “preocupação” e que a adesão ao grupo vai ser estudada pelo país.

Trump também estendeu o convite ao presidente Lula (PT). O UOL confirmou com fontes do Itamaraty que o convite foi feito para o líder brasileiro, que ainda não deu resposta se aceitará participar do colegiado.

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O QUE PROPÕE TRUMP SOBRE O ‘CONSELHO DE PAZ’ PARA GAZA?

Conselho faz parte da segunda etapa do plano de paz proposto pelo governo dos EUA para encerrar guerra em Gaza. A proposta do governo dos Estados Unidos é que o órgão funcione como um ente de supervisão de um comitê composto por técnicos palestinos, que serão responsáveis pela administração provisória e reconstrução do território, destruído após mais de dois anos de bombardeios israelenses.

Poderes do presidente norte-americano sobre Gaza serão amplos. Embora tenha recuado de declarações anteriores em que reivindicou a gestão de Gaza para si, na prática, é isso que Trump terá em mãos caso o plano siga em frente, já que as decisões do conselho seriam tomadas por maioria, com direito a um voto para cada Estado-membro, mas todas dependeriam da aprovação final do republicano.

Casa Branca afirmou que formação do conselho é um “passo essencial” para o fim do conflito entre Israel e o Hamas. Conforme o governo norte-americano, a medida visa “promover paz, estabilidade, reconstrução e prosperidade” em Gaza.

Conselho faz parte de plano de Trump para esvaziar a ONU, segundo especialistas ouvidos pela Folha de S.Paulo. A possibilidade de que o órgão tenha um caráter permanente, e o convite para líderes de países sem relação direta com o conflito no Oriente Médio, sugerem que o presidente norte-americano pretende criar uma instituição internacional paralela às Nações Unidas, mas chefiada por ele (leia mais aqui).

Convidada para integrar o grupo, a China afirmou que defenderá o sistema internacional com a ONU em seu centro. A China ainda não se pronunciou sobre se aceitará o convite, mas o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, indicou que Pequim apoiará uma ordem mundial baseada na ONU.

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