Investigação do Master aponta simulação de operações, laranjas e preços artificiais em fundos

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Investigação do Master aponta simulação de operações, laranjas e preços artificiais em fundos

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

As investigações sobre o uso de fundos de investimentos no esquema do Banco Master apontaram que a instituição controlada por Daniel Vorcaro teria se beneficiado de operações financeiras simuladas, uso de laranjas e atribuição artificial de preços a ativos sem liquidez.

Manifestações enviadas ao STF (Supremo Tribunal Federal) pelo Ministério Público Federal em São Paulo, que iniciou as investigações sobre essas suspeitas, afirmam que o banco era usado numa estrutura financeira que envolvia empréstimos concedidos pelo Master, passava por fundos e beneficiava os próprios sócios da instituição.

O material embasou a segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na quarta-feira (14).

Segundo os investigadores, o Master aplicou mais de R$ 3,5 bilhões em fundos controlados exclusivamente pelo banco. Desse valor, R$ 1,8 bilhão foram usados para comprar notas comerciais (títulos de renda fixa) emitidas por empresas vinculadas aos sócios da instituição. Para o MPF, essa operação tem “fortes indícios de estruturação financeira irregular e simulação de operações”.

“O Banco Master direcionou uma parte considerável dos recursos captados junto ao mercado, por meio da emissão de CDBs, a fundos de investimento […] nos quais o próprio Banco Master figurava como cotista único. Ademais, estes fundos eram utilizados para adquirir Notas Comerciais (NCs) e direitos creditórios de empresas que possuíam vínculos societários ou relações pessoais com os sócios do Banco Master”, anotou o MPF.

Para os procuradores, foi demonstrado “o aproveitamento de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização, com o uso de fundos de investimento para circulação de ativos sem liquidez, artificialmente precificados, e reiteradas operações entre partes relacionadas -muitas delas sob controle direto ou indireto de indivíduos ligados por vínculos societários, familiares ou funcionais”.

A defesa de Vorcaro afirma que tem colaborado integral e continuamente com as autoridades competentes e que todas as medidas judiciais determinadas serão atendidas com transparência.

A investigação também reforçou que essa estrutura financeira contava com a participação de laranjas, pessoas usadas pelos verdadeiros controladores do esquema para ocultar a participação em empresas. Essa suspeita já havia aparecido na primeira fase da Compliance Zero, em novembro.

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Um dos casos citados envolve uma clínica médica que tem receita anual de pouco mais de R$ 450 mil e emitiu R$ 361 milhões em notas comerciais sem nenhuma garantia. A empresa seria controlada por uma mulher que não possui patrimônio e recebeu o auxílio emergencial na pandemia de Covid-19.

No documento enviado ao STF, a Polícia Federal aponta um “aproveitamento sistemático de vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” com o uso de fundos de investimento e uma cadeia de empresas conectadas por vários sócios e parentes.

A PF afirmou haver “indícios consistentes” da existência de uma organização criminosa voltada à prática de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento ou manutenção em erro de investidor, uso de informação privilegiada e manipulação de mercado e lavagem de dinheiro. O MPF indicou “fortes indícios de desvio de recursos e risco sistêmico ao sistema financeiro”.

A pedido da PF e da PGR (Procuradoria-Geral da República), o ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, autorizou quebras de sigilo bancário das empresas e investigados entre 2020 e 2025, quando teriam ocorrido as operações suspeitas.

Os investigadores afirmam que o Master emprestava dinheiro para empresas que, na prática, devolviam os recursos para o próprio banco a partir da compra de CDBs.

“Tais fluxos, que ocorreram entre abril e maio de 2024, totalizaram um desembolso de R$ 1,45 bilhão pelo Banco Master, com um retorno de R$ 1,38 bilhão via aquisição de CDBs pelos fundos Astralo 95 e Reag Growth 95. Observou-se, ainda, que os CDBs adquiridos por esses fundos eram paulatinamente resgatados nos dias subsequentes”, afirma o MPF.

Os procuradores indicam um exemplo em que o Astralo 95 resgata R$ 800 milhões em CDBs do Master e, depois, transfere R$ 650 milhões para o fundo Termópilas. Este fundo transfere os mesmos R$ 650 milhões para a Super Empreendimentos e Participações, empresa que, de acordo com Vorcaro, tem como sócio seu cunhado, Fabiano Zettel.

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Como mostrou a Folha de S. Paulo, a Super foi usada por Vorcaro para usar um empréstimo desviado do próprio banco para comprar a mansão de R$ 36 milhões na qual morava quando ia a Brasília.

Os advogados de Vorcaro disseram em nota que a relação do ex-banqueiro com a Super é comercial, envolvendo operações de compra e venda de ativos e contratos de inquilinato. “Um dos sócios da empresa é cunhado de Vorcaro, fato de conhecimento público”, acrescentou.

A PF deu início às apurações sobre as fraudes depois de receber uma denúncia anônima por meio do seu email institucional com um arquivo intitulado “Informações Banco Master”. A partir de então, um processo foi formalizado e as diligências começaram, já indicando crimes como gestão fraudulenta e uma rede de relações empresariais e financeiras para a prática de delitos contra o Sistema Financeiro Nacional.

Alvo de busca e apreensão na quarta-feira, o empresário Nelson Tanure foi apontado pelos investigadores como possível “sócio oculto” do Master e como alguém que exercia influência por meio de fundos e estruturas societárias complexas. Ele também seria o beneficiário final da Lormont Participações, com CDBs de R$ 73,7 milhões que concentraram 97% de uma das carteiras analisadas.

Na quarta, por meio de nota, a defesa de Tanure afirmou que o empresário não tem “qualquer relação de natureza societária com o Banco Master, do qual foi cliente nos últimos anos, nas mesmas condições em que é igualmente atendido por outras instituições financeiras conhecidas do mercado”.

Segundo o advogado do empresário, a única medida imposta contra ele na segunda fase da operação foi a apreensão de um celular. A defesa afirma ainda que “o empresário tem certeza de que no decorrer das apurações promovidas pelo STF restará definitivamente demonstrada a inexistência de qualquer pretensa prática ilícita oriunda dessa relação”.

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