Reag, investigada no caso Master, administrava fundo da arena do Corinthians

reag,-investigada-no-caso-master,-administrava-fundo-da-arena-do-corinthians
Reag, investigada no caso Master, administrava fundo da arena do Corinthians

publicidade

JÚLIA GALVÃO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O fundo imobiliário da Neo Química Arena, estádio do Corinthians —o Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII)— estava sob administração da Reag Trust, instituição financeira que teve sua liquidação decretada nesta quinta-feira (15) pelo BC (Banco Central). Agora, o fundo precisará encontrar uma nova administradora.

A gestora assumiu a administração do fundo em 2023, em substituição à BRL Trust. Segundo dados de 31 de dezembro de 2025, o Arena FII possui patrimônio líquido de R$ 672 milhões e três cotistas, classificados como pessoa jurídica não financeira.

A Reag é investigada por suposta participação em uma fraude financeira que teria inflado artificialmente ativos relacionados ao Banco Master. A empresa também foi um dos alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela PF (Polícia Federal) em agosto de 2025, que apura a atuação do PCC (Primeiro Comando da Capital) em negócios da economia formal, incluindo o mercado financeiro.

Segundo uma fonte com conhecimento do assunto, desde a deflagração da operação o Corinthians vem buscando a substituição da administradora, mas a definição de uma nova gestora também depende da Caixa Econômica Federal.

EMPRESÁRIO INFLUENTE NO FUTEBOL

Fundador da Reag Investimentos, João Carlos Mansur integra o conselho deliberativo do Palmeiras. Em abril de 2025, ele também foi eleito para compor o conselho de orientação e fiscalização, um dos órgãos mais importantes do clube paulista.

Leia Também:  150 mil investidores concluíram pedido de ressarcimento de valores do Master, diz FGC

O empresário tem o sonho de um dia se tornar presidente do Palmeiras, segundo pessoas que o conhecem no clube ouvidas anteriormente pela Folha. Sobre a investigação mais recente, que teve mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário, a defesa de Mansur afirmou que ainda não teve acesso aos autos, mas disse que está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.

Mansur deixou o cargo de presidente do conselho de administração da Reag em setembro de 2025, em meio à crise de credibilidade provocada após a operação da PF contra o PCC.
Em novembro de 2024, João Mansur anunciou uma parceria da Reag com o zagueiro Vitor Reis, revelação do Palmeiras, hoje no Manchester City. A ideia da empresa era explorar a imagem do atleta em ações de divulgação.

Também em 2024, o jornal O Globo noticiou que a Reag participava de uma tentativa de compra da dívida da WTorre com o Banco do Brasil para assumir a administração do estádio Allianz Parque.

Em 2009, Mansur foi alvo do próprio conselho de orientação e fiscalização para o qual foi eleito. Na ocasião, o então presidente do clube Luiz Gonzaga Belluzzo pediu que o órgão apurasse um contrato segundo o qual Mansur receberia valores mensais para prestar consultoria às obras de transformação do Parque Antarctica em Allianz Parque. No total, segundo estimado à época, ele receberia R$ 2,4 milhões.

Leia Também:  Pretendemos dar tramitação mais rápida possível na Câmara ao acordo Mercosul-UE, diz Hugo Motta

Ao saber do acordo, Belluzzo disse que não havia assinado o contrato e pediu investigação interna.

FUNDOS DA REAG

Os fundos de investimentos da Reag ficam congelados, mas não são encerrados com a liquidação extrajudicial. Isso ocorre porque o fundo é um conjunto de ativos pertencentes aos cotistas, e não à gestora.

Cabe ao Banco Central ou aos próprios participantes do fundo indicar uma nova administradora para os fundos de investimento que estavam sob responsabilidade da instituição. “Durante esse período de transição, enquanto não há um novo gestor formalmente indicado, o fundo fica bloqueado para movimentações. Não há entrada nem saída de cotistas”, afirma Cristiano Correa, professor de finanças do Ibmec.

Caso nenhuma administradora aceite assumir os fundos de investimento, eles podem ser liquidados. Nesse caso, o lucro ou o prejuízo resultante da venda dos ativos é repartido entre os cotistas.

“Isso costuma acontecer quando os fundos são pouco atrativos, com baixa rentabilidade ou alta complexidade. Fundos bons e rentáveis geralmente encontram gestor com facilidade”, diz Correa.
Colaborou Matheus dos Santos, de São Paulo

Compartilhe essa Notícia

publicidade

Expresão Local
Resumo sobre Privacidade

Este site usa cookies para que possamos fornecer a você a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e executam funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você acha mais interessantes e úteis.

Saiba mais lendo nossa Política de Privacidade