Revolta de agricultores com acordo UE-Mercosul chega aos portos da França

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Revolta de agricultores com acordo UE-Mercosul chega aos portos da França

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Após uma semana de mobilização intensa, agricultores franceses revoltados com o acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul iniciaram, nesta segunda-feira (12), uma nova semana de manifestações, visando portos e várias rodovias, com previsão de um novo protesto nesta terça-feira, em Paris.

Com a proximidade da assinatura do acordo, no próximo sábado, no Paraguai, os atos continuavam a se espalhar por toda a França, com uma barreira de controle montada no porto de Le Havre (noroeste), bloqueios nos portos de Bayonne e La Rochelle, no sudoeste, e operações perto de Lille (norte), na autoestrada A1, a mais concorrida do país, segundo sua concessionária.

Uma federação de sindicatos agrícolas de l’Ile-de-France, cujos departamentos rodeiam Paris, convocou uma manifestação na capital francesa para esta terça-feira. Os manifestantes preveem se reunir na Praça da Concórdia “entre as 6h e 7h”, e “cerca de 250 tratores” devem vir de Hauts-de-France (norte), disse hoje à AFP Benoît Raux, dirigente de uma federação de sindicatos agrícolas do norte do país.

Em Le Havre, primeiro porto francês em tráfego de contêineres, barreiras de controle foram instaladas com pneus em chamas, troncos de árvores e alguns tratores, sem paralisar a atividade portuária. Desde o fim de semana, agricultores inspecionam caminhões frigoríficos e verificam a procedência dos produtos.

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Durante essas inspeções, previstas até, pelo menos, a noite desta segunda-feira, foram encontradas “farinha estrangeira, sopas de legumes tailandesas, produtos que não têm as mesmas normas de produção” que os franceses, criticou Justin Lemaître, dirigente sindical local, reivindicando “que a importação respeite nossos padrões de produção”.

Os apoiadores do acordo com o Mercosul (bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), fruto de mais de 25 anos de negociações, consideram o pacto essencial para estimular as exportações, sustentar a economia no continente e reforçar os laços diplomáticos em um contexto de incerteza global.

Mas, para seus críticos, o tratado vai prejudicar a agricultura europeia com produtos importados da América do Sul mais baratos e que não necessariamente respeitam as normas da UE, na falta de controles suficientes.

Como resultado, uma centena de agricultores bloqueou uma instalação de processamento de grãos para exportação até a metade desta segunda-feira no porto de Bayonne. O local, pertencente à empresa Maïsica, dedicada ao armazenamento, à secagem e ao carregamento de milho e outros cereais para a exportação, é um “símbolo forte”, anteciparam os manifestantes, que reforçaram sua oposição “histórica” ao acordo de livre-comércio.

‘Grande aflição’

Em La Rochelle, cerca de 60 manifestantes montaram uma barreira com fardos de palha em frente às instalações petrolíferas nesse porto industrial.

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Perto de Nantes (oeste), desde a noite de domingo uma zona industrial está bloqueada, onde os manifestantes submetem à supervisão os caminhões perto de uma plataforma frigorífica de grande distribuição.

A mobilização, iniciada há um mês em oposição à gestão governamental da dermatose nodular contagiosa (DNC), uma doença grave que afeta os bovinos, também alcançou os eixos rodoviários, sobretudo na altura da A64, ao sul de Toulouse (sudoeste), e na A1, com uma barreira montada no sentido Lille-Paris.

“É de se perguntar se o Estado francês ainda quer seus agricultores”, criticou o horticultor Franck Hembert, na rodovia A1. “Com ou sem o Mercosul, os agricultores já estão em grande aflição.”

Além da França, manifestações também foram realizadas na Itália, Polônia e Irlanda para protestar contra o acordo com o Mercosul, que criaria uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores.

A ratificação do acordo depende de uma votação no Parlamento europeu, que se anuncia apertada e que não deve ocorrer antes de fevereiro. Uma grande concentração de agricultores está prevista em 20 de janeiro em frente à sede do Legislativo da UE, em Estrasburgo.

© Agence France-Presse

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