A Câmara Municipal de Aparecida de Goiânia quer explicações formais sobre a perda de R$ 40 milhões do Aparecidaprev aplicados no Banco Master, instituição envolvida em um escândalo nacional que atingiu fundos de previdência, prefeituras e outros órgãos públicos. Na sessão desta quinta-feira (4/12), os vereadores aprovaram requerimento que convida a atual presidente do instituto, Márcia Tinoco, o ex-secretário municipal da Fazenda, Einstein Paniago, e o ex-presidente do Aparecidaprev, Robes Venâncio, para prestarem esclarecimentos. AparecidaPrev é a autarquia municipal de previdência social de Aparecida de Goiânia, responsável pela gestão do Regime Próprio de Previdência dos servidores públicos do município.
Tinoco deve comparecer na Câmara na segunda-feira (8/12); os demais, na sessão ordinária da próxima terça-feira (9/12). A iniciativa partiu do vereador Isaac Martins (UB), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que afirmou que o caso coloca Aparecida “no radar nacional” e pode trazer consequências futuras ao pagamento das aposentadorias dos servidores.
“Infelizmente nós fomos surpreendidos com essa fatídica situação que envolveu justamente o Instituto de Previdência da nossa cidade, onde tudo leva a crer que perdemos 40 milhões”, disse.
Segundo o vereador, trata-se de recursos descontados mensalmente de servidores ao longo de anos e investidos “de forma irresponsável e criminosa” em “letras podres” que, conforme avalia, dificilmente terão ressarcimento.
Isaac afirmou esperar que todos os responsáveis sejam identificados.
Isaac Martins: caso coloca Aparecida “no radar nacional” e pode trazer consequências ao pagamento das aposentadorias dos servidores
“Além do papel desta Casa, que é fiscalizar e averiguar tudo o que aconteceu, nós temos também os órgãos controladores, Polícia Federal e Ministério Público, que estarão investigando. Acredito que todos aqueles responsáveis serão punidos na proporção de cada crime que foi cometido”, declarou.
Questionado sobre a avaliação do atual prefeito, Leandro Vilela (MDB), Isaac Martins disse que o gestor está “tranquilo” por entender que o problema se limita às administrações anteriores. O vereador também destacou que a atual presidente do Aparecidaprev, Márcia Tinoco, comunicou imediatamente os órgãos de controle ao identificar o investimento suspeito.
Dúvidas sobre impacto na aposentadoria dos servidores
O vereador Tales de Castro (PSB) afirma que acompanha o caso “com muita preocupação”, tanto pelo impacto local quanto pelo contexto nacional do escândalo envolvendo o Banco Master.
“Os investimentos feitos no Banco Master envolveram várias prefeituras, vários fundos de pensão e até mesmo uma empresa estatal, que é o Banco de Brasília”, lembrou.
Para Tales, o principal questionamento é se os cerca de R$ 40 milhões aplicados retornarão ao Aparecidaprev.
Tales de Castro: principal questionamento é se os cerca de R$ 40 milhões aplicados retornarão ao Aparecidaprev
“A nossa preocupação é: esse dinheiro volta ou não volta para o caixa? E caso não volte, isso terá algum impacto para os servidores, para os aposentados, para os pensionistas?”, disse.
Ele disse que espera que os convocados forneçam dados concretos sobre como ocorreu a aplicação, se houve aprovação do conselho e quem autorizou a operação.
O vereador Gleison Flávio (PL) reforçou que o alerta do Tribunal de Contas dos Municípios (TCMGO) foi ignorado na época da aplicação. Segundo ele, inicialmente o investimento poderia chegar a R$ 160 milhões, mas foi limitado aos R$ 40 milhões agora em análise.
“O TCM alertou para não fazer a aplicação e, mesmo assim, foi feito”, afirmou.
Gleison entende que, por ser a prefeitura responsável pelo instituto de previdência, dificilmente servidores terão prejuízo direto. Ele ressaltou que o caso é acompanhado por TCMGO, Ministério Público e Polícia Federal.
“A Câmara entendeu em convidar algumas pessoas. Já foram convocadas a atual presidente da Aparecidaprev, Marcia Tinoco, que estará aqui na segunda-feira (8/12). Também foram convidados Einstein Paniago e o ex-presidente Robes Venâncio. Já que é pra ouvir, tem que ouvir todos”, afirmou.
Sobre a reação do prefeito Leandro Vilela, Gleison disse que ninguém na atual gestão compactua com o ocorrido.
“A partir de segunda-feira nós vamos saber, vamos ouvir a Márcia e também, se os outros vierem, para que a gente possa levar para a população o que de fato aconteceu”, concluiu.
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