O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), participou nesta quinta-feira (30/10) de um encontro no Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, que reuniu lideranças estaduais em apoio ao governo fluminense após a megaoperação contra o Comando Vermelho, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão. O evento marcou o lançamento do Consórcio da Paz, iniciativa que busca integrar forças policiais e serviços de inteligência no enfrentamento ao crime organizado.
Ao lado do governador Cláudio Castro (PL), anfitrião da reunião, Caiado destacou a segurança pública como pilar essencial de governabilidade.
“Segurança pública é governabilidade. Ela irradia em todas as outras áreas, é o marco principal”, afirmou o goiano, que elogiou a ação conjunta das forças fluminenses. “É um trabalho que estimula os outros governos a enfrentarem o problema de frente. Meus parabéns ao Rio de Janeiro. É algo que tem que ser reconhecido por todos nós”, completou.
Participaram do encontro os governadores Romeu Zema (Minas Gerais), Jorginho Mello (Santa Catarina), Eduardo Riedel (Mato Grosso do Sul), a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por videoconferência. O grupo reforçou a importância da cooperação entre estados para frear a expansão das facções criminosas e consolidar uma política de segurança pautada em inteligência e coordenação.
Foto: Walter Folador
Caiado também alertou para o impacto nacional do crime organizado e criticou a falta de ação do governo federal. “O que o Comando Vermelho tem feito, não é crime comum, é terrorismo”, afirmou. “O desinteresse é total em dar apoio ao Rio de Janeiro. E não interessa essa pauta a eles, porque são complacentes”, completou o governador, ao defender maior autonomia dos estados. Segundo ele, propostas como a PEC da Segurança, em tramitação no Congresso, podem concentrar poder em Brasília e enfraquecer a capacidade de resposta das unidades federativas.
Durante o encontro, o governador apresentou dados de Goiás que, segundo ele, demonstram os resultados de uma política contínua de investimento em inteligência e controle do sistema prisional. “Desde 2019, nunca mais tivemos um sequestro, um novo cangaço ou invasão de terra. Quando o Estado domina o sistema prisional, onde o faccionado não tem sequer visita íntima, a criminalidade despenca”, destacou.
Para Caiado, a experiência goiana comprova que a atuação firme e técnica das forças de segurança gera reflexos diretos na economia, na educação e na sensação de segurança da população.
Cooperação entre estados
O Consórcio da Paz, anunciado após a reunião, será um mecanismo de cooperação entre estados, com foco na troca de informações estratégicas e apoio mútuo em operações de combate ao crime organizado. “Vamos dividir experiências, discutir estratégias e somar esforços práticos. É um pacto pelo cidadão que quer trabalhar e viver em segurança”, resumiu o governador Cláudio Castro, anfitrião do encontro.
Foto: Walter Folador
Ronaldo Caiado reforçou que o objetivo do grupo é consolidar uma frente permanente de atuação interestadual. “Queremos que todas as nossas forças, integradas, com base em inteligência e operação, estejam preparadas para agir em conjunto em situações emergenciais. Se queremos a paz, temos que estar prontos para a guerra”, concluiu.
O encontro entre governadores marca um movimento político de reposicionamento dos estados frente à União na condução da política de segurança pública. A criação do Consórcio da Paz simboliza uma tentativa de ampliar a autonomia regional e de estabelecer um pacto federativo prático, baseado em resultados. Ao mesmo tempo, reflete o descontentamento dos governos estaduais com a centralização das decisões em Brasília e com a lentidão de respostas do governo federal em temas considerados urgentes pela população.
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