Reportagem publicada pelo portal UOL no último fim de semana revelou indícios de desvio de recursos públicos destinados ao Jockey Club de São Paulo por meio da Lei Rouanet. O material jornalístico, de autoria do UOL, cita empresas e pessoas supostamente ligadas ao ex-governador de Goiás e atual presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, que é sócio do clube paulistano desde 2019 e conselheiro desde 2022.
Segundo o portal, o Jockey recebeu R$ 83,6 milhões em incentivos fiscais nos últimos sete anos para restaurar sua sede histórica às margens do Rio Pinheiros, sendo R$ 22,4 milhões provenientes da Lei Rouanet. Parte desses valores, ainda conforme a apuração, teria sido destinada a empresas goianas de fachada, despesas não comprovadas e serviços sem relação direta com o projeto autorizado pelo Ministério da Cultura.
A reportagem menciona a produtora Elysium, sediada em Goiânia, como uma das principais beneficiárias. A empresa é ligada a ex-assessores e familiares de Perillo e teria coordenado parte dos projetos culturais do Jockey. Outras empresas citadas são a Construtora Biapó e a Sapé Administração de Imóveis, de uma prima do ex-governador.
Documentos indicam ainda pagamentos irregulares, duplicidade de notas fiscais e possíveis vínculos entre projetos da Rouanet e o programa municipal TDC (Transferência do Direito de Construir), também financiado com recursos públicos.
Câmara Municipal de São Paulo quer CPI
A repercussão do caso levou vereadores paulistanos a articularem a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Municipal de São Paulo. O pedido de instalação, que já reúne 25 assinaturas, busca apurar o uso dos recursos e poderá incluir a convocação de Marconi Perillo para prestar esclarecimentos.
O autor do requerimento, vereador Gilberto Nascimento Júnior (PL), afirmou ao UOL que a comissão deverá “investigar o destino do dinheiro público recebido pelo Jockey”, convocando também dirigentes do clube e representantes das empresas envolvidas.
Paralelamente, a prefeitura de São Paulo abriu fiscalização administrativa para revisar notas fiscais e documentos contábeis do projeto.
Força-tarefa está apurando os fatos
Em nota enviada ao UOL, Marconi Perillo negou qualquer irregularidade e classificou como “absurda” a tentativa de associar seu nome ao caso. A produtora Elysium também negou ilegalidades e informou que prestará os devidos esclarecimentos às autoridades.
O caso segue sob apuração de uma força-tarefa do Ministério da Cultura e da Controladoria-Geral do Município de São Paulo. Segundo especialistas consultados, eventuais irregularidades podem resultar em devolução integral dos valores e responsabilização civil e penal dos envolvidos.
A possível abertura de uma CPI em São Paulo reacende o debate sobre o controle e a transparência no uso de leis de incentivo à cultura, especialmente quando envolvem entidades privadas e figuras públicas com histórico político relevante. O desdobramento do caso poderá impactar o cenário interno do PSDB e reacender discussões sobre a regulamentação e fiscalização de projetos aprovados pela Lei Rouanet em todo o país.
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