A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Contra a Ordem Tributária (DOT), deflagrou na manhã desta quinta-feira (16/10) a Operação Gatsby, em parceria com o Fisco Estadual e com o apoio do Batalhão Fazendário. Cerca de 80 agentes – entre policiais civis, auditores fiscais e policiais militares – participaram das diligências que vistoriaram nove distribuidoras de bebidas na região metropolitana de Goiânia.
Segundo a DOT, a operação teve como objetivo identificar e autuar empresas que praticam irregularidades fiscais e tributárias, além de coibir a circulação de bebidas de procedência duvidosa ou adulteradas. As investigações apontam para o uso de máquinas de cartão registradas em nome de terceiros – modalidade frequentemente empregada para ocultar receitas e fraudar o recolhimento de tributos estaduais – e para vendas sem emissão de notas fiscais ou com documentação fiscal falsificada.
As equipes fiscalizaram documentos contábeis, notas fiscais eletrônicas e sistemas de pagamento, buscando evidências das fraudes e cruzando informações para mapear possíveis esquemas de sonegação. Houve lavratura de autos de infração e autuações administrativas contra estabelecimentos com irregularidades detectadas durante as inspeções. A Polícia Civil informou que os responsáveis poderão responder criminalmente por crimes tributários e estarão obrigados ao pagamento dos tributos sonegados, acrescidos de multas e demais sanções cabíveis.
Além do impacto fiscal, as autoridades destacam o risco para consumidores: a comercialização de bebidas sem procedência comprovada pode comprometer a segurança sanitária e dificultar a rastreabilidade dos produtos. A prática também prejudica o comércio regular, gerando concorrência desleal em desfavor de empresas que cumprem obrigações fiscais e sanitárias.
A Operação Gatsby integra uma força-tarefa preventiva e contínua de fiscalização do Estado, que reúne órgãos de segurança pública e de controle tributário para fortalecer a fiscalização no setor de bebidas alcoólicas. As ações visam não só coibir fraudes pontuais, mas também desarticular redes que operam para ocultar receitas e burlar a legislação.
A DOT informou que as investigações permanecem em curso e que novas medidas poderão ser adotadas conforme a análise das provas recolhidas. Consumidores e comerciantes que tiverem suspeitas sobre a procedência de produtos ou práticas irregulares podem denunciar às autoridades competentes, contribuindo para a proteção da saúde pública e para a integridade do mercado.
Operação em Luziânia mira fraudadores de guias de trânsito animal
A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes Rurais (DERCR), deflagrou, na terça-feira (14/10), a Operação Rastreio Falso – a terceira ação em um ano contra fraudes na emissão de Guias de Trânsito Animal (GTAs). As investigações apontam a participação de um servidor municipal cedido à Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) na manipulação de cadastros e na inserção de dados fictícios no sistema Sidago para justificar movimentações inexistentes de bovinos.
Enquanto exercia suas funções na unidade de Luziânia, o servidor teria autorizado atestados com pagamentos de vacinas usados como base para emissões irregulares de GTAs, comprometendo a rastreabilidade e a credibilidade do controle sanitário estadual. Durante as apurações foram identificadas movimentações financeiras superiores a R$ 100 mil em menos de um mês entre o servidor e um corretor de gado já investigado por fraudes, preso na segunda fase da Operação Paper Ox.
Foram alvos da operação um servidor da Agrodefesa e corretores suspeitos de fraudar atestados e movimentar R$ 100 mil em um mês
Na operação foram cumpridos quatro mandados de prisão temporária em Luziânia, além de decisões judiciais para buscas e apreensões, bloqueio de ativos e sequestro de bens. Outras diligências permanecem sob sigilo para resguardar o andamento das investigações. A Agrodefesa prestou apoio técnico, fornecendo relatórios de auditoria e fiscalização que ajudaram a consolidar as provas.
Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, as informações que embasaram a operação partiram do trabalho de inteligência da instituição.
“As informações surgiram das nossas auditorias. Temos um setor de inteligência dentro da Agrodefesa que trabalha com o sistema. Todo o rebanho goiano está cadastrado no Sidago e, a partir dele, conseguimos identificar movimentações irregulares, além de receber informações de campo dos nossos fiscais e denúncias. A partir disso, levantamos os relatórios e encaminhamos à Polícia Civil para as devidas apurações”, explicou ele.
“Nosso papel é preservar o patrimônio econômico e garantir a manutenção dos mercados para os nossos produtos. Exportamos para diversos estados e países, e nossa carne é reconhecida mundialmente pela qualidade e sustentabilidade. Garantir a segurança do nosso sistema e a integridade das informações é um compromisso e uma responsabilidade da Agrodefesa com o produtor e com o Estado de Goiás”, reforçou o presidente.
Ramos também alertou os produtores sobre o cuidado com as credenciais de acesso ao Sidago: “Qualquer movimentação é feita por meio de login e senha. Quando o produtor compartilha esses dados com terceiros, ele vulnerabiliza o seu próprio patrimônio”, pontuou.
A Rastreio Falso é a terceira ofensiva da DERCR contra esquemas envolvendo GTAs e notas fiscais inidôneas em Goiás: a primeira ocorreu em abril de 2024 (Operação Paper Ox) e a segunda em julho de 2025 (Paper Ox II). Com a nova ação, a Polícia Civil reforça o compromisso de combater fraudes no meio rural e proteger a sanidade e a rastreabilidade do rebanho estadual.
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